terça-feira, 4 de agosto de 2009

AVE ENCANTADA




O que quero dizer
é esse falar de sombras,
de fantasmas lá de fora.
Tenho alguns livros inquietos na estante
e nem eles me bastam.
Que fogo, senhor, no meu rosto!
Que pecado traiçoeiro em minhas mãos!
Quando tenho notícias tuas
desencadeia-me um torpor
encrespado de cordões de ouro.
Meu sexo engendra truques e artimanhas
e torna-se doce feito cheiro de engenho velho.
Oscilo entre meu aguçamento
e um catre de palha.
Minha maledicência implora a todos piedade,
mas meu desejo me deixa frouxa e escorregadia.
Nunca fui santa.
Minha urgência me salva de tudo o mais.
Meu enredo de poesia
me cura de dias incontáveis.
Uma ave encantada nasce de mim.

9 comentários:

Mulher na Janela disse...

afffiii jeanne!
essa ave nascida tinha que morar na poesia, do corpo, da alma e das palavras.
sua poesia é um encantamento.
um doce acre de linda!

beijão!

Jeanne Araujo disse...

Obg Iara.também amo te ler...bjos

BAR DO BARDO disse...

jeanne,

você faz bons poemas.
eu gosto.
e isso aqui: "Minha urgência me salva de tudo o mais."
um dia pretendo escrever um verso assim...

felicidades, poeta!

Moacy Cirne disse...

seus fantasmas,
truques e artimanhas:
um belo poema,
cistalizado no "enredo de poesia"
que o redimensiona.

Beijos.

Jeanne Araujo disse...

ah Henrique, às vezes escrevo tantas bobagens....um bjo

Jeanne Araujo disse...

Meu mestre, saudades de vc. Obg pelo carinho no Balaio.

Grupo Casarão de Poesia disse...

jeanne, amiga...
confira as novidades do Casarão...

beijos...

Moacy Cirne disse...

Uma ave caiu no Balaio,
hoje.
Puro encantamento.

Beijos.

Moacy Cirne disse...

Caríssima amiga,

Existe uma Joana Araújo Cargalheira n'O Livro dos Livros (Balaio de hoje), Conhece-a, por acaso?

Um beijo.